Emissões batem recorde em 2010 e ameaçam meta de combate a aquecimento

As emissões internacionais de gases responsáveis pelo efeito estufa bateram um recorde histórico no ano passado, colocando em dúvida o cumprimento da meta de limitar o aquecimento global em menos de 2 graus, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Segundo a agência, as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, cresceram 5% no ano passado em relação ao recorde anterior, em 2008.

Em 2009, as emissões haviam caído graças à crise financeira global, que reduziu a atividade econômica internacional.

A agência estimou ainda que 80% das emissões projetadas para 2020 no setor de energia já estão comprometidas, por virem de usinas elétricas atualmente instaladas ou em construção.

“O significativo aumento das emissões de CO2 e o comprometimento das emissões futuras por conta de investimentos de infraestrutura representam um grave revés para nossas esperanças de limitar o aumento global da temperatura para não mais de 2 graus Celsius”, afirmou Faith Birol, economista-chefe da AIE e responsável pelo relatório anual da entidade World Energy Outlook.

Limite

A meta de limitar o aumento global das temperaturas médias em 2 graus foi estabelecida durante a conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada no ano passado em Cancún.

O limite foi estabelecido de acordo com um relatório técnico que indicava que se a temperatura global aumentar mais que 2 graus as consequências podem ser irreversíveis e devastadoras.

Segundo os cálculos da AIE, a quantidade de CO2 emitida no mundo atingiu 30,6 gigatoneladas no ano passado, um aumento de 1,6 gigatoneladas em relação ao ano anterior.

A AIE estimou que para limitar o aquecimento dentro dos limites aceitáveis, as emissões globais não devem ultrapassar as 32 gigatoneladas até 2020.

Se o crescimento das emissões neste ano igualar o do ano passado, esse limite já terá sido ultrapassado, nove anos antes do prazo.

“O mundo chegou incrivelmente perto do limite de emissões que não deveriam ser alcançadas até 2020 para a meta de 2 graus ser atingida. Dada a redução do espaço para manobras até 2020, ao menos que decisões fortes e decisivas sejam tomadas logo, será extremamente difícil conseguir alcançar a meta global acertada em Cancún”, diz Birol.

Segundo a AIE, os países considerados desenvolvidos foram responsáveis por 40% das emissões totais em 2010, mas responderam por apenas 25% do crescimento global das emissões.

Países em desenvolvimento, principalmente China e Índia, registraram um aumento muito maior de suas emissões, acompanhando seu crescimento econômico acelerado.

Quando consideradas as emissões per capita, porém, os países desenvolvidos tiveram uma emissão média de 10 toneladas por pessoa, enquanto na China foram 5,8 toneladas per capita e, na Índia, 1,5 toneladas.

Texto para Trabalho

Bom dia Alunos,

Este semestre iremos atuar nas áreas de educação, trabalho e e meio ambiente.

Temos um textos onde iremos trabalhar!

Neste blog coloquei o que discutiremos em aulas. Será de grande valia a leitura dos mesmos.

Portanto, mãos a obra, pois discutiremos eles ná proxima aula.

sem mais,

Aquecimento global 'beneficiou Império Inca', diz estudo

Machu Picchu, a 'cidade perdida dos incas', símbolo do império

Temperatura permitiu aos incas colonizar altitudes elevadas, diz estudo

Um estudo de sedimentos encontrados na região de Cuzco, no Peru, sugere que o antigo Império Inca se beneficiou de um período de aquecimento global que durou cerca de 500 anos - exatamente na época em que aquela civilização conheceu seu maior apogeu.

O estudo, coordenado pelo pesquisador Alex Chepstow-Lusty, do Instituto Francês de Estudos Andinos em Lima, capital peruana, analisou como a evolução social e econômica verificada durante os anos incas se relacionam às mudanças climáticas nos Andes no mesmo período.

A conclusão é que séculos de temperaturas elevadas melhoraram as condições agrícolas e permitiram o cultivo de alimentos para sustentar uma população crescente e um exército poderoso.

O estudo analisou uma seqüência de sedimentos do lago Marcacocha, localizado 12 km ao norte de Ollantaytambo, um dos grandes assentamentos incas, contendo evidências das mudanças climáticas ao longo de milênios.

A pesquisa foi publicada no número atual na revista científica Climates of the Past.

Evidências

Durante a maior parte do primeiro milênio depois da era cristã, os sedimentos indicaram pouca presença de agricultura sustentada no lago, o que corresponderia a um período relativamente frio na região.

A partir do ano 880, entretanto, os sedimentos passam a indicar um período de seca, que teria ocasionado a redução do volume do lago e eliminado duas culturas rivais andinas, os Wari e os Tiwanaku.

A elevação da temperatura nos Andes a partir de 1100 foi, na visão dos pesquisadores, literalmente o divisor de águas na evolução da civilização inca.

Embora o crescimento meteórico (do império inca) tenha sido em parte devido à adoção de estratégias sociais inovadoras, isto que não teria sido possível sem o aumento da produtividade das colheitas, que está ligada a condições climáticas mais favoráveis.

Alex Chepstow-Lusty

O derretimento das geleiras coincide com o advento de técnicas de irrigação que permitiram aos incas elevar sua produtividade agrícola e alcançar altitudes mais elevadas.

"Essa condição de aquecimento teria permitido aos Incas explorar as atitudes mais elevadas (após o ano 1150), construindo terraços agrícolas que empregavam irrigação alimentada por geleiras, em combinação com técnicas agroflorestais deliberadas", escreveram os pesquisadores.

Os pesquisadores relataram diversas evidências de pastos para llamas ao redor do lago entre 1100 e 1400, assim como de plantações de batatas nas áreas mais elevadas e de milho nos locais mais baixos.

Além disso, eles verificaram níveis altos de pólen da Alnus acuminata, uma árvore andina cuja ocorrência está ligada ao reaproveitamento de solos agrícolas degradados.

Isto tendeu a desaparecer a partir do século 16, coincidindo com a chegada dos colonizadores espanhóis, em 1532.

"No contexto de doenças e de uma população decrescente, as comunidades foram forçadas a migrar ou a trabalhar sob o sistema de encomienda (escravidão por dívidas)", afirmaram os pesquisadores.

"A paisagem anteriormente cultivada rapidamente cresceu de forma descontrolada e os canais de irrigação e os terraços não mais foram mantidos, caindo em desuso."

Quando a ocupação agrícola da área voltou a ocorrer, após 1600, a ocupação se deu de forma bastante diferente, com os europeus trazendo seus próprios animais e técnicas agrícolas para a zona.

Conclusões

Llama pasta tendo as ruínas de Machu Picchu ao fundo

Pesquisadores encontraram muitos vestígios da criação de animais

Para os pesquisadores, as evidências permitem estabelecer uma relação entre o desenvolvimento da civilização inca e as mudanças climáticas ocorridas nos Andes, sobretudo nos 400 anos mais significativos do império.

"Embora este crescimento meteórico tenha sido em parte devido à adoção de estratégias sociais inovadoras, apoiadas por uma grande força de trabalho e um exército poderoso, sustentamos que isto não teria sido possível sem o aumento da produtividade das colheitas, que está ligada a condições climáticas mais favoráveis", eles escreveram.

Eles chamaram atenção para o fato de que o aquecimento na região do lago Marcacocha é apoiado por evidências semelhantes em outras regiões dos Andes.

É cada vez maior a atenção dada por pesquisadores a um período de temperaturas globais maiores entre os séculos 9º e 14º da Idade Média em relação aos tempos modernos.

"A visão prevalente desse intervalo é a de que temperaturas elevadas foram experimentadas com certa intermitência e que, em certas regiões, se caracterizou por anomalias climáticas como secas prolongadas, aumento do nível de chuva e ventos de monções mais fortes", afirmaram.

Para eles, as evidências colhidas no lago Marcacocha não só reforçam os estudos sobre este fenômeno - que ainda é objeto de discussões no meio acadêmico - como apontam para um efeito positivo dele.

Para os cientistas as conclusões de quase mil anos atrás podem ser úteis no mundo de hoje. "Pode haver lições importantes para gerar desenvolvimento rural sustentado nos Andes à luz da futura incerteza climática", eles disseram.

Ciência e Tecnologia

Água mineral feita a partir do mar chega aos EUA
31/07/2008

 

Valor Online

Moradores de Miami, na Flórida (EUA), poderão a partir do próximo mês entrar em lojas de conveniência da cidade e levar pra casa uma nova garrafa de água mineral, a H2Ocean. Seria apenas mais uma marca no mercado, não fosse por um detalhe: a H2Ocean é feita a partir da água do mar, com aplicação da nanotecnologia. E mais. O processo foi desenvolvido por brasileiros. 


A H2Ocean nasceu da experiência de dois cientistas, que começaram a desenvolver a tecnologia de controle de minerais em água dessalinizada. Isso ocorreu há dez anos. Em seguida, somaram-se à dupla outros dois sócios. Em 2003, eles conseguiram a patente do processo e passaram a bater de porta em porta para tentar comercializar a água. "Ao longo de dez anos, foram investidos cerca de US$ 2 milhões na companhia", diz Rolando Viviani, gerente de marketing da H2Ocean. Segundo ele, todas as pesquisas foram feitas com recursos próprios dos quatro sócios. Seus nomes, por enquanto, são mantidos em sigilo. 


No início, o objetivo da H2Ocean era vender a água "nanotecnológica" no Brasil. A empresa alega ter procurado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2006 para realizar o pedido de registro do engarrafamento do produto. A resposta teria sido a de que não há legislação específica para que esse tipo de água seja vendido no país por conta da sua fonte: o mar. Procurada, a Anvisa informou que a H2Ocean nunca entrou com um pedido de registro. A empresa, entretanto, enviou ao Valor fac-símile da página da Anvisa na internet em que aparece o número do processo do registro e do protocolo, em nome de Aquamare Beneficiadora e Distribuidora de Água. A data de entrada é de outubro de 2006 e o pedido foi negado em março do ano passado. 


Em dezembro, a mesma Aquamare fez uma segunda tentativa, enviando uma carta à Anvisa em que pedia esclarecimentos sobre o que fazer para obter o registro. A resposta veio quatro meses depois, com a indicação de que a empresa deveria "importar" uma legislação sobre o assunto. Ao Valor, a Anvisa também informou que "a empresa interessada na produção (...) de água dessalinizada deve apresentar, preferencialmente por intermédio de uma associação, proposta de regulamentação para avaliação pela Anvisa". 


As dificuldades para se obter o registro no Brasil levaram a H2Ocean a mudar de estratégia. A empresa continua interessada em obter a aprovação da Anvisa, mas decidiu priorizar a busca por novos mercados. A opção foi pelos EUA. "O registro da empresa saiu em três horas e a água foi analisada em 15 dias. Nos EUA, conseguimos resolver em três meses tudo o que não conseguimos aqui em quatro anos", afirma Viviani. O Valor, porém, não teve acesso ao registro obtido no exterior. 


A venda da H2Ocean começa nos Estados Unidos em agosto, em três estados: além da Flórida, Nova Jérsei e Atlanta. Foram embarcados oito contêineres do produto, feito inicialmente na fábrica de Bertioga, litoral sul de São Paulo. A unidade poderá ser desativada em breve. A produção deve ser transferida para os EUA no fim deste ano. 


A nanotecnologia foi o instrumento utilizado pela H2Ocean para transformar a água do mar em água mineral dessalinizada. A água dos oceanos é rica em micro e macro nutrientes, como o boro, o cromo e o germânio - elementos dos quais o corpo humano necessita, em pequenas doses. Com a nanotecnologia, a H2Ocean conseguiu, a partir da água recolhida em alto mar, retirar o sal e manter grande parte dos minerais. 


Para chegar a esse resultado, os cientistas criaram um filtro com nanotecnologia aplicada, o nanofiltro. O processo inicial é o mesmo que se faz desde a década de 1940: a dessalinização. Depois de retirado o sal, restam duas opções, segundo Viviani: "Ou todos os minerais são retirados da água ou ela continua salgada". Com uma sequência de nanofiltragens, a H2Ocean conseguiu manter 63 dos 86 minerais contidos na composição inicial. Surgiu a água do mar mineral. 


Para saber se o resultado é bom, o brasileiro vai ter de esperar. Ou passar em alguma "deli" na próxima viagem à Disney. 

Manuela Rahal (Valor Online) -

Maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, começa a operar nesta quarta

Nesta quarta-feira (10), o maior acelerador de partículas do mundo entrará em operação. A um custo estimado em mais de 3 bilhões de euros, o LHC sondará as entranhas da matéria em busca das respostas que faltam para compreender vários dos mistérios do universo. E a idéia é fazer isso sem destruir o mundo no processo, a despeito de rumores em contrário.

Grosso modo, o LHC é uma espécie de "rodoanel" para prótons, as partículas que caracterizam os elementos existentes no universo. Um túnel circular de 27 km, localizado sob a fronteira entre a Suíça e a França, ele usará poderosíssimos ímãs, construídos com tecnologia de supercondutores, para acelerar feixes de partículas até 99,99% da velocidade da luz. Produzindo um feixe de prótons em cada direção, a idéia é colidi-los quando estiverem em máxima velocidade. O impacto é capaz de simular condições próximas às que existiram logo após o Big Bang, gerando um sem-número de partículas elementares.

Uma forma simples de imaginá-lo é como uma imensa máquina de esmigalhar prótons, colidindo-os uns com os outros. Os caquinhos que emergirem das colisões são as partículas que os cientistas pretendem estudar. E uma, em especial, está na cartinha que todos os físicos do laboratório enviaram a Papai Noel neste ano: o bóson de Higgs.

O nome assusta, e o apelido mais ainda - ele é chamado popularmente como "a partícula de Deus". Mas, por que, afinal, o bóson de Higgs é tão especial?

Existe uma teoria muito querida pelos físicos de partículas, chamada de modelo padrão. Ela é basicamente uma lista de todas as peças - ou seja, todas as partículas - usadas na confecção de um universo como o nosso. Ela explica como os prótons e os nêutrons são feitos de quarks, e como os elétrons fazem parte de um grupo de partículas chamado de léptons, em que também se incluem os neutrinos, partículas minúsculas de carga neutra. O modelo padrão também explica como funcionam as partículas portadoras de força (como o glúon, responsável por manter estáveis os núcleos atômicos, ou o fóton, que compõe a radiação eletromagnética, popularmente conhecida como luz).

Mas para todo esse imenso "lego" científico funcionar corretamente, os físicos prevêem a existência de uma partícula que explicaria como todas as outras adquirem sua massa. É onde entra o bóson de Higgs. Infelizmente, até agora os cientistas não encontraram nenhum sinal concreto de sua existência. Por maior que fossem os aceleradores de partículas, o Higgs continuava ocultando sua existência. Agora, com a nova jóia da ciência européia, ele não terá mais onde se esconder.

Com uma potência nunca antes vista num acelerador, o LHC quase com certeza encontrará o bóson de Higgs. Ou coisa que o valha.

"Ninguém duvida que a idéia que está por trás do bóson de Higgs esteja correta", afirma Adriano Natale, físico da Unesp (Universidade Estadual Paulista). "Se o bóson de Higgs, exatamente como foi proposto, não for encontrado, aparecerão outros sinais -- partículas -- que indicarão o novo caminho a ser seguido. Podemos não achar o bóson de Higgs, mas, seja qual for a física que está por trás, algo vai aparecer, e este algo pode até levar a uma nova revolução na física."

Aliás, a física bem que anda precisando de uma "nova revolução".

Em busca da unificação

Hoje, o entendimento do mundo físico se assenta sobre dois pilares. De um lado, há a física quântica, base para todo o modelo padrão da física de partículas. De outro lado, há a teoria da relatividade geral, que explica como funciona a gravidade.

Até aí, tudo certo. Temos duas teorias, cada uma regendo seu próprio domínio de ação, e ambas funcionam muito bem, obrigado, na hora de prever os fenômenos. Qual é o problema? O dilema surge porque há circunstâncias muito especiais no universo que exigem o uso das duas teorias ao mesmo tempo. Aliás, o próprio nascimento do cosmo só pode ser explicado juntando as duas teorias. E aí é que a porca torce o rabo: as equações da relatividade e da física quântica não fazem sentidos, quando usadas juntas para resolver um problema. Começam a aparecer cálculos insolúveis e resultados infinitos - sintomas de que há algo muito errado em uma das duas teorias, ou até em ambas.

Por isso, os cientistas têm uma esperança muito grande de que exista uma teoria maior, mais poderosa, que incluísse tanto o modelo padrão como a relatividade num único conjunto coeso de equações. Só essa nova teoria "de tudo" poderia realmente acabar com os mistérios remanescentes no universo.

A badalada hipótese das supercordas - que prevê que as partículas elementares na verdade seriam cordas estupidamente minúsculas vibrando num espaço com dez dimensões - é hoje a principal candidata a assumir essa função de teoria de tudo.

Só que, até o momento, seus defensores não conseguiram apresentar nenhuma evidência real de que essa maluquice de supercordas e dimensões extra realmente exista. Suas esperanças estarão agora depositadas no LHC. É possível - mas não muito provável - que ele atinja um nível de energia suficiente para revelar a existência de novas dimensões, além das três que costumamos vivenciar no cotidiano.

E, ainda que não chegue lá, o LHC tem boas chances de produzir objetos que emergem diretamente da interação entre a gravidade e o mundo quântico, como miniburacos negros. "Esses possíveis objetos transcendem a relatividade real. Suas propriedades podem dar informações seobre regimes em que a relatividade geral não é mais válida, como, por exemplo, o regime da gravitação quântica", diz Alberto Saa, pesquisador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O acelerador do medo

Ei, mas peraí. Miniburacos negros? Mas os buracos negros não são aqueles objetos terríveis que existem nas profundezas do espaço, engolindo tudo que está ao seu redor, até mesmo a luz? Será que é uma boa idéia criar um miniburaco negro no subsolo terrestre?

A imensa maioria dos físicos diz que não haverá perigo algum. "Esses possíveis buracos negros são microscópicos", diz Saa. "Uma vez criados, seriam quase imediatamente destruídos, espalhando diversas partículas com padrões muito peculiares. A imagem do buraco negro faminto, devorando impiedosamente tudo ao seu redor, se aplica apenas aos buracos negros astrofísicos, nunca a buracos negros microscópicos."

Embora os miniburacos negros pareçam ser inofensivos, há uma outra hipótese um pouco mais ameaçadora.

Os vilões dessa vez são chamados de "strangelets". Seriam partículas de um tipo exótico de matéria que não existe normalmente. O problema é que a teoria diz que, se um strangelet conseguisse tocar o núcleo de um átomo convencional, o átomo seria convertido em strangelet. Ou seja, se o LHC produzir strangelets, alguns físicos dizem que eles poderiam interagir com a matéria normal da Terra e iniciar uma reação em cadeia que consumiria o planeta inteiro.

Muitos e muitos estudos dizem que isso não vai acontecer. Mas como decidir o que fazer, se o risco, embora baixíssimo, envolve a destruição da Terra? Sir Martin Rees, o astrônomo real britânico, escreveu um livro inteiro ("Hora Final", ou "Our Final Hour", no original) para alertar sobre experimentos como esse, que, embora com uma probabilidade muito baixa, têm chance de causar resultados catastróficos.

Por isso, há quem esteja muito preocupado. Mas a verdade é que o universo produz eventos muito mais agressivos que o LHC, com supernovas, buracos negros e tudo mais, e ainda estamos aqui para estudá-los e compreendê-los.

A dúvida sobre os perigos do LHC não durará muito. Nesta quarta, ele receberá seu primeiro feixe de prótons. Em breve, serão iniciadas as primeiras colisões com objetivos científicos. E aí, ou os rumores sobre a destruição do mundo se mostrarão completamente infundados, ou ninguém estará aqui para dizer que tinha razão. 
 
Por um punhado de euros

Descartando quaisquer riscos, os cientistas envolvidos com o LHC estão empolgadíssimos. Não é todo dia que se consegue convencer o mundo a investir mais de 3 bilhões de euros em pesquisa básica.

"Esta é uma colaboração internacional a um nível que não temos nas demais atividades humanas", diz Adriano Natale. "Uma congregação de países e pessoas para a qual é muito difícil atribuir um valor, mas se formos totalmente calculistas, nós temos de contabilizar todo o desenvolvimento tecnológico realizado no Cern, o laboratório que gere o LHC. Temos grandes supercondutores, temos computação sendo desenvolvida para a análise dos resultados etc. O desenvolvimento em computação que o LHC vai gerar certamente irá impactar no desenvolvimento mundial no futuro próximo. E o valor é pequeno, se consideramos o que está sendo gasto em armamentos e em guerras."
(Fonte: Salvador Nogueira / G1)

Conservation: Humpback whales make a comeback

The humpback whale is off the endangered list

The humpback whale has moved from vulnerable to least concern, according to the IUCN Red List, meaning it is at low risk of extinction. Photograph: Jose Jacome/EPA

Humpback whales are making a comeback more than 40 years after a ban on commercial hunting was brought in to save them from extinction.

Marine biologists estimate that the number of humpbacks worldwide may have grown to more than 40,000 adults and about 15,000 juveniles, following the ban that began in the 1960s. The International Union for Conservation of Nature (IUCN) has revised its classification of the whales as "vulnerable" to "of least concern" on its latest annual list of endangered animals.

The southern right whale population has also begun to recover - the number of these is believed to have doubled from 7,500 in 1997.

Randall Reeves of the IUCN said: "This is a great conservation success and shows what needs to be done to ensure these ocean giants survive."

The success of these two species, however, contrasts with a worsening trend for other cetaceans, including whales, dolphins and porpoises, of which 10% are classified as endangered or critically endangered. Furthermore, the picture is unclear for more than half of the world's 44 cetacean species, because too little is known about their populations.

Smaller coastal and fresh water species, including the vaquita porpoise, finless porpoise, South American river dolphin and Irrawaddy dolphin, are increasingly at risk of extinction.

· This article was amended on Thursday August 14 2008. In a piece above we referred to "a worsening trend for other cetaceans, including whales, dolphins, sharks and porpoises". Sharks ought not to be in this company: they are fish. This has been corrected.

Branson unveils space tourism jet

Rajesh Mirchandani takes a closer look at the design of the Virgin Galactic mothership.

The British business tycoon Richard Branson has unveiled an aircraft in the US that will be used for his project to launch tourists into space.

The high-altitude jet will act as the mothership for a spacecraft, releasing it in mid-air to take two crew and six passengers on sub-orbital flights.

More than 250 people have already paid $200,000 (£100,000) each to be among the first making the tourist trips.

Mr Branson predicts the maiden space voyage will take place in 18 months.

 

A crowd of engineers, dignitaries and space enthusiasts gathered inside a hangar in the Mojave Desert in California for the unveiling of WhiteKnightTwo "Eve".

Virgin Galactic has contracted the innovative aerospace designer Burt Rutan to build the mothership and spacecraft at his Scaled Composites factory in California.

But some hurdles remain before Virgin Galactic customers can experience zero gravity.

WhiteKnightTwo must undergo a rigorous flight testing programme, beginning in the autumn.

Infographic (BBC)
The mothership is a white, four-engined jet designed to cradle SpaceShipTwo under its wing and release it at 50,000 feet (15,200m) in the air.

Once separated, SpaceShipTwo will fire its hybrid rocket and climb some 60 miles (100km) above the Earth.

Engineers still need to finish building SpaceShipTwo, which is now about 70% complete, according to Virgin Galactic.

Mr Branson said the name of the WhiteKnightTwo reflected the pioneering spirit of his space tourism venture.

"We are naming it Eve after my mother, Eve Branson, but also because it represents a first and a new beginning, the chance for our ever-growing group of future astronauts and other scientists to see our world in a completely new light," he said.

Rutan and Branson have high hopes for WhiteKnightTwo, and its carbon composite technology, that go beyond merely lofting SpaceShipTwo to its launch altitude.

Scaled and Virgin have set up a new joint venture, called The Spaceship Company, which will exploit the wider capabilities of the aircraft.

 

Richard Branson on the likely timetable for space tourism

The capabilities of this mothership are unbelievable," Sir Richard told the BBC. "For instance, we could put satellites in space at a fraction of the price that satellites are currently put up there. It has enormous weight capability, so if there were a [humanitarian] crisis in Africa it could carry enormous loads [for aid]."

SpaceShipTwo should be finished in about a year's time. Sir Richard said he intended to take his family into space but would not fly them until a thorough testing programme had "been completed and every box has been ticked".

Longer-term, Sir Richard envisages many tens of thousands of people taking holidays in space.

"Let's go 20 years forward, if all of this goes to plan, I hope that we will have a hotel in space; and in that hotel I hope we will have small spaceships that can go around the Moon - an excursion," he explained.

Clima colocou Amazônia na agenda global
Fonte: WWW.BBC.COM

James Painter
Analista de América Latina da BBC


Queimadas na floresta amazônica (foto: Haroldo Castro)
Estudos colocam Amazônia como área mais vulnerável depois do Ártico

Com o aumento da preocupação mundial com o aquecimento global e com o futuro do planeta, cresceu também atenção internacional sobre a Amazônia.

Há três razões fundamentais que explicam por que a região é importante para o resto do mundo.

Primeiro: a floresta exerce um papel fundamental no ciclo de carbono que influi na formação do clima mundial.

Cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono são absorvidas por vegetação tropical em todo o mundo, dos quais cerca de 70 bilhões apenas pelas árvores amazônicas.

Hoje, estima-se que a Amazônia absorva cerca de 10% das emissões globais de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis em carros e fábricas, por exemplo.

Aquecimento global


Amazônia dá ao Brasil título de país com maior biodiversidade do mundo

Por outro lado, as altas taxas de desmatamentos fazem com que mais carbono se converta em dióxido de carbono, seja no momento em que as árvores são queimadas para 'limpar' áreas de floresta, seja mais lentamente através da decomposição de madeira não-queimada.

Estima-se que cerca de 20% das emissões globais de gases que causam o efeito estufa provêm da derrubada de florestas tropicais em todo o mundo.

E, segundo o IPPC – Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU – o aquecimento global está ligado diretamente à concentração de CO2 na atmosfera.

De acordo com o relatório Stern sobre a economia da mudança climática encomendado pelo governo britânico e divulgado em 2006, a perda de bosques naturais contribui mais que o setor de transporte para as emissões.

O mesmo documento alertou que, sozinha, a destruição de mata tropical pode lançar nos próximos quatro anos mais carbono na atmosfera que todos os vôos do inicio da aviação até 2025.

O desmatamento – e não a queima de combustíveis fósseis – explica por que o Brasil figura entre os cinco maiores emissores de gases que causam o efeito estufa.

Ponto de inflexão

A segunda razão é o potencial da região amazônica para agir como o que os cientistas denominam 'ponto de inflexão' para o clima global neste ano.

Um estudo divulgado em fevereiro deste ano por uma equipe de cientistas da Universidade de Oxford, do Instituto Potsdam e de outros centros de pesquisa concluiu que a floresta amazônica é a segunda área do planeta mais vulnerável à mudança climática depois do Oceano Ártico.

A idéia central é que a seca da Amazônia e/ou o aumento no desmatamento poderiam gerar um ciclo vicioso: a grande redução na área de floresta amazônica geraria um aumento significativo nas emissões de CO2, que por sua vez elevariam as temperaturas globais, que assim causariam a seca da Amazônia.

Cientistas e especialistas que trabalham em modelos de clima discordam em relação a quando este ponto de inflexão poderia ocorrer, até em relação à possibilidade de que ocorra.

O britânico Centro Hadley vê como "muito provável" que a Amazônia seja duramente afetada pela mudança climática nas próximas décadas.

Outras estimativas levando em conta todos os modelos recentes sugerem uma probabilidade de 10% a 40%.

Por baixa que seja a probabilidade, entretanto, as mudanças na Amazônia devem ter "alto impacto" no clima mundial.

Biodiversidade

Finalmente, a Amazônia é importante pela sua biodiversidade.

É a maior porção de floresta tropical, com o maior reservatório biológico da Terra – cerca de 30% das espécies terrestres de todo o mundo.

A região dá ao Brasil o título de país com maior biodiversidade do mundo, com mais de 50 mil espécies catalogadas de plantas, 1,7 mil espécies de aves e entre 500 e 700 tipos – por categorias – de anfíbios, mamíferos e répteis.

Tão grande é sua biodiversidade que um único arbusto na Amazônia pode contar mais espécies de formigas que todas as Ilhas Britânicas, enquanto um só hectare de floresta pode ter mais de 480 espécies de árvores.

Toda esta rica biodiversidade está ameaçada pela combinação destrutiva de desmatamento com mudança climática.

Mesmo com tantos pontos de interrogação sobre o futuro da Amazônia e seu efeito no clima mundial, cientistas concordam que, por causa de sua diversidade genética e o papel crucial da região na definição do clima do planeta, é urgente encontrar a melhor combinação política para conservar suficiente da floresta.
Aquecimento global é inevitável e 6 bi morrerão, diz James Lovelock
fonte: revista Rolling Stones
Dezembro 19th, 2007
Por Jeff Goodell
James Lovelock, renomado cientista, diz que o aquecimento global é irreversível – e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século


Aos 88 anos, depois de quatro filhos e uma carreira longa e respeitada como um dos cientistas mais influentes do século 20, James Lovelock chegou a uma conclusão desconcertante: a raça humana está condenada. “Gostaria de ser mais esperançoso”, ele me diz em uma manhã ensolarada enquanto caminhamos em um parque em Oslo (Noruega), onde o estudioso fará uma palestra em uma universidade. Lovelock é baixinho, invariavelmente educado, com cabelo branco e óculos redondos que lhe dão ares de coruja. Seus passos são gingados; sua mente, vívida; seus modos, tudo menos pessimistas. Aliás, a chegada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse – guerra, fome, pestilência e morte – parece deixá-lo animado. “Será uma época sombria”, reconhece. “Mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem emocionante.”
James Lovelock, renomado cientista, diz que o aquecimento global é irreversível – e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século

Aos 88 anos, depois de quatro filhos e uma carreira longa e respeitada como um dos cientistas mais influentes do século 20, James Lovelock chegou a uma conclusão desconcertante: a raça humana está condenada. “Gostaria de ser mais esperançoso”, ele me diz em uma manhã ensolarada enquanto caminhamos em um parque em Oslo (Noruega), onde o estudioso fará uma palestra em uma universidade. Lovelock é baixinho, invariavelmente educado, com cabelo branco e óculos redondos que lhe dão ares de coruja. Seus passos são gingados; sua mente, vívida; seus modos, tudo menos pessimistas. Aliás, a chegada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse – guerra, fome, pestilência e morte – parece deixá-lo animado. “Será uma época sombria”, reconhece. “Mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem emocionante.”

Na visão de Lovelock, até 2020, secas e outros extremos climáticos serão lugar-comum. Até 2040, o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing (deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas. “Os chineses não terão para onde ir além da Sibéria”, sentencia Lovelock. “O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra entre a Rússia e a China seja inevitável.” Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa, virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes – Canadá, Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica.

Até o final do século, segundo o cientista, o aquecimento global fará com que zonas de temperatura como a América do Norte e a Europa se aqueçam quase 8 graus Celsius – quase o dobro das previsões mais prováveis do relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, a organização sancionada pela ONU que inclui os principais cientistas do mundo. “Nosso futuro”, Lovelock escreveu, “é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranqüilamente sobre as cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane”. E trocar as lâmpadas de casa por aquelas que economizam energia não vai nos salvar. Para Lovelock, diminuir a poluição dos gases responsáveis pelo efeito estufa não vai fazer muita diferença a esta altura, e boa parte do que é considerado desenvolvimento sustentável não passa de um truque para tirar proveito do desastre. “Verde”, ele me diz, só meio de piada, “é a cor do mofo e da corrupção.”

Se tais previsões saíssem da boca de qualquer outra pessoa, daria para rir delas como se fossem devaneios. Mas não é tão fácil assim descartar as idéias de Lovelock. Na posição de inventor, ele criou um aparelho que ajudou a detectar o buraco crescente na camada de ozônio e que deu início ao movimento ambientalista da década de 1970. E, na posição de cientista, apresentou a teoria revolucionária conhecida como Gaia – a idéia de que nosso planeta é um superorganismo que, de certa maneira, está “vivo”. Essa visão hoje serve como base a praticamente toda a ciência climática. Lynn Margulis, bióloga pioneira na Universidade de Massachusetts (Estados Unidos), diz que ele é “uma das mentes científicas mais inovadoras e rebeldes da atualidade”. Richard Branson, empresário britânico, afirma que Lovelock o inspirou a gastar bilhões de dólares para lutar contra o aquecimento global. “Jim é um cientista brilhante que já esteve certo a respeito de muitas coisas no passado”, diz Branson. E completa: “Se ele se sente pessimista a respeito do futuro, é importante para a humanidade prestar atenção.”

Lovelock sabe que prever o fim da civilização não é uma ciência exata. “Posso estar errado a respeito de tudo isso”, ele admite.

“O problema é que todos os cientistas bem intencionados que argumentam que não estamos sujeitos a nenhum perigo iminente baseiam suas previsões em modelos de computador. Eu me baseio no que realmente está acontecendo.”

Quando você se aproxima da casa de Lovelock em Devon, uma área rural no sudoeste da Inglaterra, a placa no portão de metal diz, claramente: “Estação Experimental de Coombe Mill. Local de um novo hábitat. Por favor, não entre nem incomode”.
Depois de percorrer algumas centenas de metros em uma alameda estreita, ao lado de um moinho antigo, fica uma casinha branca com telhado de ardósia onde Lovelock mora com a segunda mulher, Sandy, uma norte-americana, e seu filho mais novo, John, de 51 anos e que tem incapacidade leve. É um cenário digno de conto de fadas, cercado de 14 hectares de bosques, sem hortas nem jardins com planejamento paisagístico. Parcialmente escondida no bosque fica uma estátua em tamanho natural de Gaia, a deusa grega da Terra, em homenagem à qual James Lovelock batizou sua teoria inovadora.

A maior parte dos cientistas trabalha às margens do conhecimento humano, adicionando, aos poucos, nova informações para a nossa compreensão do mundo. Lovelock é um dos poucos cujas idéias fomentaram, além da revolução científica, também a espiritual. “Os futuros historiadores da ciência considerarão Lovelock como o homem que inspirou uma mudança digna de Copérnico na maneira como nos enxergamos no mundo”, prevê Tim Lenton, pesquisador de clima na Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Antes de Lovelock aparecer, a Terra era considerada pouco mais do que um pedaço de pedra aconchegante que dava voltas em torno do Sol. De acordo com a sabedoria em voga, a vida evoluiu aqui porque as condições eram adequadas: não muito quente nem muito frio, muita água. De algum modo, as bactérias se transformaram em organismos multicelulares, os peixes saíram do mar e, pouco tempo depois, surgiu Britney Spears.

Na década de 1970, Lovelock virou essa idéia de cabeça para baixo com uma simples pergunta: Por que a Terra é diferente de Marte e de Vênus, onde a atmosfera é tóxica para a vida? Em um arroubo de inspiração, ele compreendeu que nossa atmosfera não foi criada por eventos geológicos aleatórios, mas sim devido à efusão de tudo que já respirou, cresceu e apodreceu. Nosso ar “não é meramente um produto biológico”, James Lovelock escreveu. “É mais provável que seja uma construção biológica: uma extensão de um sistema vivo feito para manter um ambiente específico.” De acordo com a teoria de Gaia, a vida é participante ativa que ajuda a criar exatamente as condições que a sustentam. É uma bela idéia: a vida que sustenta a vida. Também estava bem em sintonia com o tom pós-hippie dos anos 70. Lovelock foi rapidamente adotado como guru espiritual, o homem que matou Deus e colocou o planeta no centro da experiência religiosa da Nova Era. O maior erro de sua carreira, aliás, não foi afirmar que o céu estava caindo, mas deixar de perceber que estava. Em 1973, depois de ser o primeiro a descobrir que os clorofluocarbonetos (CFCs), um produto químico industrial, tinham poluído a atmosfera, Lovelock declarou que a acumulação de CFCs “não apresentava perigo concebível”. De fato, os CFCs não eram tóxicos para a respiração, mas estavam abrindo um buraco na camada de ozônio. Lovelock rapidamente revisou sua opinião, chamando aquilo de “uma das minhas maiores bolas fora”, mas o erro pode ter lhe custado um prêmio Nobel.

No início, ele também não considerou o aquecimento global como uma ameaça urgente ao planeta. “Gaia é uma vagabunda durona”, ele explica com freqüência, tomando emprestada uma frase cunhada por um colega. Mas, há alguns anos, preocupado com o derretimento acelerado do gelo no Ártico e com outras mudanças relacionadas ao clima, ele se convenceu de que o sistema de piloto automático de Gaia está seriamente desregulado, tirado dos trilhos pela poluição e pelo desmatamento. Lovelock acredita que o planeta vai recuperar seu equilíbrio sozinho, mesmo que demore milhões de anos. Mas o que realmente está em risco é a civilização.

“É bem possível considerar seriamente as mudanças climáticas como uma resposta do sistema que tem como objetivo se livrar de uma espécie irritante: nós, os seres humanos”, Lovelock me diz no pequeno escritório que montou em sua casa. “Ou pelo menos fazer com que diminua de tamanho.”
CONTINUAÇÃO JAMES LOVELOCK
Se você digitar “gaia” e “religion” no Google, vai obter 2,36 milhões de páginas – praticantes de wicca, viajantes espirituais, massagistas e curandeiros sexuais, todos inspirados pela visão de Lovelock a respeito do planeta. Mas se você perguntar a ele sobre cultos pagãos, ele responde com uma careta: não tem interesse na espiritualidade desmiolada nem na religião organizada, principalmente quando coloca a existência humana acima de tudo o mais. Em Oxford, certa vez ele se levantou e repreendeu Madre Teresa por pedir à platéia que cuidasse dos pobres e “deixasse que Deus tomasse conta da Terra”. Como Lovelock explicou a ela, “se nós, as pessoas, não respeitarmos a Terra e não tomarmos conta dela, podemos ter certeza de que ela, no papel de Gaia, vai tomar conta de nós e, se necessário for, vai nos eliminar”.
Gaia oferece uma visão cheia de esperança a respeito de como o mundo funciona. Afinal de contas, se a Terra é mais do que uma simples pedra que gira ao redor do sol, se é um superorganismo que pode evoluir, isso significa que existe certa quantidade de perdão embutida em nosso mundo – e essa é uma conclusão que vai irritar profundamente estudiosos de biologia e neodarwinistas de absolutamente todas as origens.

Para Lovelock, essa é uma idéia reconfortante. Considere a pequena propriedade que ele tem em Devon. Quando ele comprou o terreno, há 30 anos, era rodeada por campos aparados por mil anos de ovelhas pastando. E ele se empenhou em devolver a seus 14 hectares um caráter mais próximo do natural. Depois de consultar um engenheiro florestal, plantou 20 mil árvores – amieiros, carvalhos, pinheiros. Infelizmente, plantou muitas delas próximas demais, e em fileiras. Agora, as árvores estão com cerca de 12 metros de altura, mas em vez de ter ar “natural”, partes do terreno dele parecem simplesmente um projeto de reflorestamento mal executado. “Meti os pés pelas mãos”, Lovelock diz com um sorriso enquanto caminhamos no bosque. “Mas, com o passar dos anos, Gaia vai dar um jeito.”

Até pouco tempo atrás, Lovelock achava que o aquecimento global seria como sua floresta meia-boca – algo que o planeta seria capaz de corrigir. Então, em 2004, Richard Betts, amigo de Lovelock e pesquisador no Centro Hadley para as Mudanças Climáticas – o principal instituto climático da Inglaterra –, convidou-o para dar uma passada lá e bater um papo com os cientistas. Lovelock fez reunião atrás de reunião, ouvindo os dados mais recentes a respeito do gelo derretido nos pólos, das florestas tropicais cada vez menores, do ciclo de carbono nos oceanos. “Foi apavorante”, conta.

“Mostraram para nós cinco cenas separadas de respostas positivas em climas regionais – polar, glacial, floresta boreal, floresta tropical e oceanos –, mas parecia que ninguém estava trabalhando nas conseqüências relativas ao planeta como um todo.” Segundo ele, o tom usado pelos cientistas para falar das mudanças que testemunharam foi igualmente de arrepiar: “Parecia que estavam discutindo algum planeta distante ou um universo-modelo, em vez do lugar em que todos nós, a humanidade, vivemos”.

Quando Lovelock estava voltando para casa em seu carro naquela noite, a compreensão lhe veio. A capacidade de adaptação do sistema se perdera. O perdão fora exaurido. “O sistema todo”, concluiu, “está em modo de falha.” Algumas semanas depois, ele começou a trabalhar em seu livro mais pessimista, A Vingança de Gaia, publicado no Brasil em 2006. Na sua visão, as falhas nos modelos climáticos computadorizados são dolorosamente aparentes. Tome como exemplo a incerteza relativa à projeção do nível do mar: o IPCC, o painel da ONU sobre mudanças climáticas, estima que o aquecimento global vá fazer com que a temperatura média da Terra aumente até 6,4 graus Celsius até 2100. Isso fará com que geleiras em terra firme derretam e que o mar se expanda, dando lugar à elevação máxima do nível de mar de apenas pouco menos de 60 centímetros.
A Groenlândia, de acordo com os modelos do IPCC, demorará mil anos para derreter.

Mas evidências do mundo real sugerem que as estimativas do IPCC são conservadoras demais. Para começo de conversa, os cientistas sabem, devido aos registros geológicos, que há 3 milhões de anos, quando as temperaturas subiram cinco graus acima dos níveis atuais, os mares subiram não 60 centímetros, mas 24 metros. Além do mais, medidas feitas por satélite recentemente indicam que o Ártico está derretendo com tanta rapidez que a região pode ficar totalmente sem gelo até 2030. “Quem elabora os modelos não tem a menor noção sobre derretimento de placas de gelo”, desdenha o estudioso, sem sorrir.

Mas não é apenas o gelo que invalida os modelos climáticos. Sabe-se que é difícil prever corretamente a física das nuvens, e fatores da biosfera, como o desmatamento e o derretimento da Tundra, raramente são levados em conta. “Os modelos de computador não são bolas de cristal”, argumenta Ken Caldeira, que elabora modelos climáticos na Universidade de Stanford, cuja carreira foi profundamente influenciada pelas idéias de Lovelock. “Ao observar o passado, fazemos estimativas bem informadas em relação ao futuro. Os modelos de computador são apenas uma maneira de codificar esse conhecimento acumulado em apostas automatizadas e bem informadas.”

Aqui, em sua essência supersimplificada, está o cenário pessimista de Lovelock: o aumento da temperatura significa que mais gelo derreterá nos pólos, e isso significa mais água e terra. Isso, por sua vez, faz aumentar o calor (o gelo reflete o sol, a terra e a água o absorvem), fazendo com que mais gelo derreta. O nível do mar sobe. Mais calor faz com que a intensidade das chuvas aumente em alguns lugares e com que as secas se intensifiquem em outros. As florestas tropicais amazônicas e as grandes florestas boreais do norte – o cinturão de pinheiros e píceas que cobre o Alasca, o Canadá e a Sibéria – passarão por um estirão de crescimento, depois murcharão até desaparecer. O solo permanentemente congelado das latitudes do norte derrete, liberando metano, um gás que contribui para o efeito estufa e que é 20 vezes mais potente do que o CO2… e assim por diante. Em um mundo de Gaia funcional, essas respostas positivas seriam moduladas por respostas negativas, sendo que a maior de todas é a capacidade da Terra de irradiar calor para o espaço. Mas, a certa altura, o sistema de regulagem pára de funcionar e o clima dá um salto – como já aconteceu muitas vezes no passado – para uma nova situação, mais quente. Não é o fim do mundo, mas certamente é o fim do mundo como o conhecemos.

O cenário pessimista de Lovelock é desprezado por pesquisadores de clima de renome, sendo que a maior parte deles rejeita a idéia de que haja um único ponto de desequilíbrio para o planeta inteiro. “Ecossistemas individuais podem falhar ou as placas de gelo podem entrar em colapso”, esclarece Caldeira, “mas o sistema mais amplo parece ser surpreendentemente adaptável.” No entanto, vamos partir do princípio, por enquanto, de que Lovelock esteja certo e que de fato estejamos navegando por cima das cataratas do Niagara. Simplesmente vamos acenar antes de cair? Na visão de Lovelock, reduções modestas de emissões de gases que contribuem para o efeito estufa não vão nos ajudar – já é tarde demais para deter o aquecimento global trocando jipões a diesel por carrinhos híbridos. E a idéia de capturar a poluição de dióxido de carbono criada pelas usinas a carvão e bombear para o subsolo? “Não há como enterrar quantidade suficiente para fazer diferença.” Biocombustíveis? “Uma idéia monumentalmente idiota.” Renováveis? “Bacana, mas não vão nem fazer cócegas.” Para Lovelock, a idéia toda do desenvolvimento sustentável é equivocada: “Deveríamos estar pensando em retirada sustentável”.

A retirada, na visão dele, significa que está na hora de começar a discutir a mudança do lugar onde vivemos e de onde tiramos nossos alimentos; a fazer planos para a migração de milhões de pessoas de regiões de baixa altitude, como Bangladesh, para a Europa; a admitir que Nova Orleans já era e mudar as pessoas para cidades mais bem posicionadas para o futuro.

E o mais importante de tudo é que absolutamente todo mundo “deve fazer o máximo que pode para sustentar a civilização, de modo que ela não degenere para a Idade das Trevas, com senhores guerreiros mandando em tudo, o que é um perigo real. Assim, podemos vir a perder tudo”.

Até os amigos de Lovelock se retraem quando ele fala assim. “Acho que ele está deixando nossa cota de desespero no negativo”, diz Chris Rapley, chefe do Museu de Ciência de Londres, que se empenhou com afinco para despertar a consciência mundial sobre o aquecimento global. Outros têm a preocupação justificada de que as opiniões de Lovelock sirvam para dispersar o momento de concentração de vontade política para impor restrições pesadas às emissões de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa. Broecker, o paleoclimatologista de Columbia, classifica a crença de Lovelock de que reduzir a poluição é inútil como “uma bobagem perigosa”.

“Eu gostaria de poder dizer que turbinas de vento e painéis solares vão nos salvar”, Lovelock responde. “Mas não posso. Não existe nenhum tipo de solução possível. Hoje, há quase 7 bilhões de pessoas no planeta, isso sem falar nos animais. Se pegarmos apenas o CO2 de tudo que respira, já é 25% do total – quatro vezes mais CO2 do que todas as companhias aéreas do mundo. Então, se você quer diminuir suas emissões, é só parar de respirar. É apavorante. Simplesmente ultrapassamos todos os limites razoáveis em números. E, do ponto de vista puramente biológico, qualquer espécie que faz isso tem que entrar em colapso.”

Mas isso não é sugerir, no entanto, que Lovelock acredita que deveríamos ficar tocando harpa enquanto assistimos o mundo queimar. É bem o contrário. “Precisamos tomar ações ousadas”, ele insiste. “Temos uma quantidade enorme de coisas a fazer.” De acordo com a visão dele, temos duas escolhas: podemos retornar a um estilo de vida mais primitivo e viver em equilíbrio com o planeta como caçadores-coletores ou podemos nos isolar em uma civilização muito sofisticada, de altíssima tecnologia. “Não há dúvida sobre que caminho eu preferiria”, diz certa manhã, em sua casa, com um sorriso aberto no rosto enquanto digita em seu computador. “Realmente, é uma questão de como organizamos a sociedade – onde vamos conseguir nossa comida, nossa água. Como vamos gerar energia.”

Em relação à água, a resposta é bem direta: usinas de dessalinização, que são capazes de transformar água do mar em água potável. O suprimento de alimentos é mais difícil: o calor e a seca vão acabar com a maior parte das regiões de plantações de alimentos hoje existentes. Também vão empurrar as pessoas para o norte, onde vão se aglomerar em cidades. Nessas áreas, não haverá lugar para quintais ajardinados. Como resultado, Lovelock acredita, precisaremos sintetizar comida – teremos que criar alimentos em barris com culturas de tecidos de carnes e vegetais. Isso parece muito exagerado e profundamente desagradável, mas, do ponto de vista tecnológico, não será difícil de realizar.
O fornecimento contínuo de eletricidade também será vital, segundo ele. Cinco dias depois de visitar o centro Hadley, Lovelock escreveu um artigo opinativo polêmico, intitulado: “Energia nuclear é a única solução verde”. Lovelock argumentava que “devemos usar o pequeno resultado dos renováveis com sensatez”, mas que “não temos tempo para fazer experimentos com essas fontes de energia visionárias; a civilização está em perigo iminente e precisa usar a energia nuclear – a fonte de energia mais segura disponível – agora ou sofrer a dor que em breve será infligida a nosso planeta tão ressentido”.

Ambientalistas urraram em protesto, mas qualquer pessoa que conhecia o passado de Lovelock não se surpreendeu com sua defesa à energia nuclear. Aos 14 anos, ao ler que a energia do sol vem de uma reação nuclear, ele passou a acreditar que a energia nuclear é uma das forças fundamentais no universo. Por que não aproveitá-la?

No que diz respeito aos perigos – lixo radioativo, vulnerabilidade ao terrorismo, desastres como o de Chernobyl – Lovelock diz que este é dos males o menos pior: “Mesmo que eles tenham razão a respeito dos perigos, e não têm, continua não sendo nada na comparação com as mudanças climáticas”.

Como último recurso, para manter o planeta pelo menos marginalmente habitável, Lovelock acredita que os seres humanos podem ser forçados a manipular o clima terrestre com a construção de protetores solares no espaço ou instalando equipamentos para enviar enormes quantidades de CO2 para fora da atmosfera. Mas ele considera a geoengenharia em larga escala como um ato de arrogância – “Imagino que seria mais fácil um bode se transformar em um bom jardineiro do que os seres humanos passarem a ser guardiões da Terra”. Na verdade, foi Lovelock que inspirou seu amigo Richard Branson a oferecer um prêmio de US$ 25 milhões para o “Virgin Earth Challenge” (Desafio Virgin da Terra), que será concedido à primeira pessoa que conseguir criar um método comercialmente viável de remover os gases responsáveis pelo efeito estufa da atmosfera. Lovelock é juiz do concurso, por isso não pode participar dele, mas ficou intrigado com o desafio. Sua mais recente idéia: suspender centenas de milhares de canos verticais de 18 metros de comprimento nos oceanos tropicais, colocar uma válvula na base de cada cano e permitir que a água das profundezas, rica em nutrientes, seja bombeada para a superfície pela ação das ondas. Os nutrientes das águas das profundezas aumentariam a proliferação das algas, que consumiriam o dióxido de carbono e ajudariam a resfriar o planeta. “É uma maneira de contrabalançar o sistema de energia natural da Terra usando ele próprio”, Lovelock especula. “Acho que Gaia aprovaria.”

Oslo é o tipo perfeito de cidade para Lovelock. Fica em latitudes do norte, que ficarão mais temperadas na medida em que o clima for esquentando; tem água aos montes; graças a suas reservas de petróleo e gás, é rica; e lá já há muito pensamento criativo relativo à energia, incluindo, para a satisfação de Lovelock, discussões renovadas a respeito da energia nuclear. “A questão principal a ser discutida aqui é como manejar as hordas de pessoas que chegarão à cidade”, Lovelock avisa. “Nas próximas décadas, metade da população do sul da Europa vai tentar se mudar para cá.”

Nós nos dirigimos para perto da água, passando pelo castelo de Akershus, uma fortaleza imponente do século 13 que funcionou como quartel-general nazista durante a ocupação da cidade na Segunda Guerra Mundial. Para Lovelock, os paralelos entre o que o mundo enfrentou naquela época e o que enfrenta hoje são bem claros. “Em certos aspectos, é como se estivéssemos de novo em 1939”, ele afirma. “A ameaça é óbvia, mas não conseguimos nos dar conta do que está em jogo. Ainda estamos falando de conciliação.”

Naquele tempo, como hoje, o que mais choca Lovelock é a ausência de liderança política. Apesar de respeitar as iniciativas de Al Gore para conscientizar as pessoas, não acredita que nenhum político tenha chegado perto de nos preparar para o que vem por aí. “Em muito pouco tempo, estaremos vivendo em um mundo desesperador, comenta Lovelock. Ele acredita que está mais do que na hora para uma versão “aquecimento global” do famoso discurso que Winston Churchill fez para preparar a Grã-Bretanha para a Segunda Guerra Mundial: “Não tenho nada a oferecer além de sangue, trabalho, lágrimas e suor”. “As pessoas estão prontas para isso”, Lovelock dispara quando passamos sob a sombra do castelo. “A população entende o que está acontecendo muito melhor do que a maior parte dos políticos.”

Independentemente do que o futuro trouxer, é provável que Lovelock não esteja por aí para ver. “O meu objetivo é viver uma vida retangular: longa, forte e firme, com uma queda rápida no final”, sentencia. Lovelock não apresenta sinais de estar se aproximando de seu ponto de queda. Apesar de já ter passado por 40 operações, incluindo ponte de safena, continua viajando de um lado para o outro no interior inglês em seu Honda branco, como um piloto de Fórmula 1.

Ele e Sandy recentemente passaram um mês de férias na Austrália, onde visitaram a Grande Barreira de Corais. O cientista está prestes a começar a escrever mais um livro sobre Gaia. Richard Branson o convidou para o primeiro vôo do ônibus espacial Virgin Galactic, que acontecerá no fim do ano que vem – “Quero oferecer a ele a visão de Gaia do espaço”, diz Branson. Lovelock está ansioso para fazer o passeio, e planeja fazer um teste em uma centrífuga até o fim deste ano para ver se seu corpo suporta as forças gravitacionais de um vôo espacial. Ele evita falar de seu legado, mas brinca com os filhos dizendo que quer ver gravado na lápide de seu túmulo: “Ele nunca teve a intenção de ser conciliador”.

Em relação aos horrores que nos aguardam, Lovelock pode muito bem estar errado. Não por ter interpretado a ciência erroneamente (apesar de isso certamente ser possível), mas por ter interpretado os seres humanos erroneamente. Poucos cientistas sérios duvidam que estejamos prestes a viver uma catástrofe climática. Mas, apesar de toda a sensibilidade de Lovelock para a dinâmica sutil e para os ciclos de resposta no sistema climático, ele se mostra curiosamente alheio à dinâmica sutil e aos ciclos de resposta no sistema humano. Ele acredita que, apesar dos nossos iPhones e dos nossos ônibus espaciais, continuamos sendo animais tribais, amplamente incapazes de agir pelo bem maior ou de tomar decisões de longo prazo que garantam nosso bem-estar. “Nosso progresso moral”, diz Lovelock, “não acompanhou nosso progresso tecnológico.”

Mas talvez seja exatamente esse o motivo do apocalipse que está por vir. Uma das questões que fascina Lovelock é a seguinte: A vida vem evoluindo na Terra há mais de 3 bilhões de anos – e por que motivo? “Gostemos ou não, somos o cérebro e o sistema nervoso de Gaia”, ele explica. “Agora, assumimos responsabilidade pelo bem-estar do planeta. Como vamos lidar com isso?”
Enquanto abrimos caminho no meio dos turistas que se dirigem para o castelo, é fácil olhar para eles e ficar triste. Mais difícil é olhar para eles e ter esperança. Mas quando digo isso a Lovelock, ele argumenta que a raça humana passou por muitos gargalos antes – e que talvez sejamos melhores por causa disso. Então ele me conta a história de um acidente de avião, anos atrás, no aeroporto de Manchester. “Um tanque de combustível pegou fogo durante a decolagem”, recorda. “Havia tempo de sobra para todo mundo sair, mas alguns passageiros simplesmente ficaram paralisados, sentados nas poltronas, como tinham lhes dito para fazer, e as pessoas que escaparam tiveram que passar por cima deles para sair. Era perfeitamente óbvio o que era necessário fazer para sair, mas eles não se mexiam. Morreram carbonizados ou asfixiados pela fumaça. E muita gente, fico triste em dizer, é assim. E é isso que vai acontecer desta vez, só que em escala muito maior.”

Lovelock olha para mim com olhos azuis muito firmes. “Algumas pessoas vão ficar sentadas na poltrona sem fazer nada, paralisadas de pânico. Outras vão se mexer. Vão ver o que está prestes a acontecer, e vão tomar uma atitude, e vão sobreviver. São elas que vão levar a civilização em frente.”
Brigas de casal podem prolongar a vida, diz estudo
BBC
Atualizado às: 23 de janeiro, 2008 - 08h05 GMT (06h05 Brasília)
 
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casal
Casais "devem aprender a se reconciliar"
Um estudo realizado pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, sugere que os casais que resolvem suas diferenças e manifestam seus sentimentos de raiva ou revolta em relação ao outro vivem mais.

O estudo, publicado na revista especializada Journal of Family Communication, analisou 192 casais ao longo de 17 anos, divididos em quatro grupos.

O primeiro continha casais que expressavam sua indignação quando se sentiam ofendidos injustamente pelo outro; o segundo e o terceiro incluíam casais em que ou o homem ou a mulher reprimiam este tipo de sentimento; e o quarto continha casais em que ambos os membros não demonstravam qualquer reação diante de uma ofensa descabida.

Segundo os especialistas, entre os 26 casais do grupo que reprimiam seus ressentimentos, houve 13 mortes ao longo do estudo. Entre os 166 pares restantes, 41 morreram.

Injustiça

Para o coordenador do estudo, Ernest Harburg, quando ambos os cônjuges reprimem sua indignação diante de uma "ataque" ou crítica injusta do outro, o risco de morte dobra.

"Quando casais se unem, uma das tarefas mais difíceis é saber se reconciliar após uma briga", disse Harburg. "E ninguém é treinado para isso. Se o problema não resolve e, em vez disso, a pessoa enterra a raiva e fica remoendo esse sentimento, pode estar correndo riscos."

O pesquisador explicou que o estudo se concentrou em críticas consideradas injustas e inadequadas. Nos casos em que as críticas foram consideradas justas, não houve indignação ou rancores por parte dos membros do casal.

Harburg ainda disse que os resultados da pesquisa são preliminares e que os pesquisadores agora preparam um novo estudo para acompanhar casais ao longo de 30 anos.

 
Perspectivas do Mercado de Carbono na Visão das Ongs no Brasil

 

Os grupos de pesquisa reunidos em torno da agenda referente aos MDLs, dispõem da capacidade de mobilizar as competências necessárias para o estudo das potencialidades dos mecanismos de flexibilidade do Protocolo de Kyoto e as dificuldades que podem ameaçar sua viabilidade (CENTROCLIMA, 2007). Num primeiro momento estes mecanismos abrem importantes oportunidades de cooperação em vários setores como, por exemplo, aterros sanitários, biocombustíveis, energias renováveis, eficiência energética, transportes públicos de massa, produtos florestais renováveis, etc. No entanto há ainda muitas incertezas quanto ao aproveitamento desse potencial em termos de emissões evitadas, desenvolvimento local e seus possíveis impactos ao meio ambiente.

 

Segundo a agenda franco-brasileira de cooperação científica no campo de mudanças climáticas IDDRI – CentroClima, as análises de grandes modelos econômicos mundiais, quando focadas neste caso, são limitadas devido a falta de descrição das condições econômicas preexistentes em cada país, além da falta de parâmetros tecnológicos e institucionais dos mecanismos de Kyoto. Portanto, isto nós leva a uma subestimativa dos custos de transação que podem ser prejudiciais ao uso dos mecanismos de flexibilização. Pois, podem impactar nas reflexões das políticas de desenvolvimento, que podem levar a ausência de propostas e dispositivos que tem a meta de maximizar as contribuições políticas no que se refere ao clima.

 

Neste sentido, as cooperações e as modelagens matemáticas permitirão incorporar os resultados de análises setoriais selecionadas em conjunto com parceiros da indústria (CENTROCLIMA, 2007). O resultado será uma análise mais coerente com o potencial dos mecanismos de flexibilização de acordo com os agentes econômicos, além de promover uma perspectiva dos impactos de competitividade internacional, crescimento econômico e desenvolvimento sustentável. Será possível desenvolver uma reflexão das possíveis evoluções futuras dos mecanismos de flexibilização, além de permitir explorar políticas que otimizem os impactos dos mesmos no que se refere ao plano nacional e internacional em matéria de comércio e financiamento.

 

Segundo Alves (2007) da Ong CEDEA – Centro de Estudos Defesa e Educação Ambiental e da Rede Brasileira para Conservação dos Recursos Hídricos e Naturais Amigos das Águas – ADA, a redução de emissões pura e simples é impensável, o paradigma de “parques industriais”,e progresso, de mais de 150 anos de revolução industrial, estruturação e modernização de parques fabris, é quase monolítico empurrando o empresário a buscar lucros inconseqüentemente. Com o regulamento do artigo 12 do protocolo de Kyoto se criaram duas vertentes de solução para os problemas das emissões de GEE. Aos paises não-Anexo I obtém financiamento com de projetos de desenvolvimento sustentável via MDL, com possível transferência de tecnologia, a segunda e a aquisição de créditos de não emissão, pelos participantes Anexo I.

 

Segundo El Khalili (2008) “...uma coisa é o tema "Mudanças Climáticas";  outra coisa é o instrumento ou mecanismos que serão utilizados para que estas mudanças sejam realizadas. Estou falando da climática sim, mas também  da mudança do sistema financeiro que precisa compreender que, diferente da teoria Keynesiana no qual todos nós operadores fomos doutrinados, existe uma questão de curto prazo fundamentada no Protocolo de Kyoto, que são os impactos destas "Mudanças Climáticas" na vida dos seres humanos, na natureza e no planeta como um todo.”

 

Com isso a mudança esperada é a reeducação do empresariado e também um indicativo para o mercado que esta em surgimento. Algumas grandes empresas como a Gerdau, no Brasil, já buscam seus contratos de venda de crédito. Ela substituirá os combustíveis dos altos fornos e pela análise dos custos será suficiente para cobrir os investimentos e ainda sobrar caixa. Como pode-se analisar os projetos tem que gerar um diferença para menos nas emissões de GEE ou seqüestrar carbono, sendo assim, aprovável. Sendo, também, auto-sustentável com resultados na linha de base com um sistema que seja em longo prazo e gerenciável.

 

O projeto deve apresentar inovações tecnológicas e ter uma viabilidade econômica nas soluções empregadas. Há uma estimativa realizada pelo Banco Mundial, segundo a qual os custos de elaboração, encaminhamento e acompanhamento de negociações até a aprovação do crédito atingem a média de US$ 130.000 a US$ 260.000 (ALVES, 2007). Nota-se que com esses níveis de valores, poucas empresas têm capacidade econômica individual. Uma possível solução para uma diluição dos custos será a formação de cooperativas, com a participação de vários pequenos e médios empresários em que ramos de atuação se coincidem.

 

No regime de cooperação precisa ser melhorada a segurança e a cooperação jurídica. Com exemplo, um biodigestor paga-se em dois anos de operação e exige um conhecimento prático para sua operação e manutenção constante. Não demanda técnicos especialistas no assunto, com ressalva a geradores de a geradores de energia. Neste ponto há um desequilíbrio onde o produtor é informado dos elevados custos de elaboração, implantação e aprovação, além de informações de custos de manutenção, gestão, etc. Como, por exemplo, no caso do metano, principal emissão da suinocultura, tem três vezes o poder nocivo do CO2, vale proporcionalmente mais no mercado (ALVES, 2007). O lucro gerado ao contratante é substancialmente mais elevado que o benefício a ser obtido pelo produtor, que tem sido tratado como mero hospedeiro de um projeto altamente lucrativo (ALVES, 2007).

 

Portanto, vemos dois problemas a serem sanados, onde vemos de um lado o produtor que percebe o engodo e se torna avesso a iniciativas de manejo ambiental que consequentemente acaba por prejudicar o desenvolvimento sustentável. E por um lado meramente conceitual, o uso indevido do sistema de mercado de carbono corrói sua estrutura, calcada na reeducação, na geração de tecnologia e na transferência de conhecimentos (ALVES, 2007). É necessário que haja um trabalho de conscientização e informação para que não haja danos sociais, além de métodos que não escravize o produtor.

 

Segundo Khalili (2005) “o mercado que tem curva de ascensão é o mercado de energia renovável, e não propriamente o mercado de carbono, uma vez que a função dos "créditos de carbono" limita-se a reduzir emissões”. Portanto, o título de crédito de carbono cumprida a sua missão, reduzindo as emissões, deverão desaparecer, já que se tornaram um título “podre” [1][1]. Vemos então, que para se ter um mercado que funcione como redutor da poluição, reduzindo as emissões de GEE, seria necessário que praticássemos a cotação de cima pra baixo e não abrir um leilão sem regulação e a qualquer preço.

 

 

O mercado busca um melhor preço e as melhores vantagens e isto tem sido satisfatoriamente conseguido no panorama de economias locais e mundiais. Hoje é necessário que cada ativo, humano ou capital, sejam utilizados com respeito devido para a manutenção da vida. A tendência que temos observado é, infelizmente, que os "Créditos de Carbono" sejam novamente a repetição de um modelo centralizador, arriscado, limitado e desgastado sob os quais se estabeleceram os contratos de derivativos, commodities convencionais e títulos nos grandes centros financeiros (EL KHALILI, 2007).

 



 

Esquadrilha da Fumaça em SBO - 2007

 

http://www.youtube.com/watch?v=JS0WoGetxQ4&feature=related

Muito Bom!!!

Mudanças Aceleradas na Temperatura do Planeta

Pesquisas mostram que oscilações de temperatura sempre ocorreram na superfície terrestre. O que tem sido motivo de preocupação, ultimamente, é o rápido aquecimento que se observou, principalmente nos últimos cinqüenta anos.
Ao analisarmos as temperaturas próximas à superfície terrestre, desde a Revolução Industrial até os dias atuais, percebemos que a Terra está cada vez mais quente. De acordo com a informação de cientistas, a temperatura do planeta pode subir de 3 a 7 graus em média até o fim desse século, o que representa um grande risco ao futuro da humanidade.


Influência de atividades antrópicas nas mudanças de temperatura

Com a aceleração da produção industrial houve um aumento da temperatura média do planeta que pode ser atribuída, principalmente, ao aumento da concentração dos gases responsáveis pelo efeito estufa (Dióxido de carbono (CO2), Metano (CH4), Óxido nitroso (N2O), Clorofluorcarbonos (CFC’s), Vapor de água (H2O), Óxido de carbono (CO), Óxidos de nitrogênio (NOx) e Ozônio (O3)) e dos aerossóis de sulfato, ambos provenientes de atividades humanas.
Observações das temperaturas próximas à superfície terrestre, mostram um aumento significativo de aproximadamente 0,6º C desde o ano de 1900, ocorrido principalmente depois de 1970 (Revolução técnico-científica).
Cientistas norte-americanos estudaram a contribuição de quatro principais componentes, provavelmente os principais responsáveis pela mudança na temperatura do planeta, dos quais dois variam naturalmente (irradiação solar e aerossóis vulcânicos estratosféricos) e dois devido à influência antrópica (gases do efeito estufa e aerossóis de sulfato). O estudo foi feito quantificando-se a influência de cada um dos gases na elevação da temperatura, no período de 1906 a 1996.
Por meio deste estudo pôde-se concluir que apesar da influência solar e vulcânica, o aquecimento verificado no período de 1946 a 1996 teve grande influência das atividades antrópicas. Ou seja, o consumo crescente de combustíveis fósseis, o desmatamento, o acúmulo de resíduos orgânicos e químicos, entre outros, contribuem significativamente para as mudanças aceleradas que temos observado na temperatura do planeta.

Possíveis conseqüências das mudanças na temperatura do planeta

- Derretimento de geleiras elevando o nível do mar, podendo arrasar regiões litorâneas e ilhas oceânicas.
- Alteração no regime das chuvas. Isso pode alterar todo o esquema de grandes áreas produtoras de grãos e deslocamento de zonas agrícolas, acarretando também problemas políticos e sócio-econômicos.
- Aumento de eventos extremos no clima, como por exemplo, tornados, ciclones e inundações, trazendo morte, destruição, problemas sociais e econômicos, principalmente em regiões mais pobres do planeta.
Tais previsões parecem meio catastróficas, mas se observarmos atentamente os eventos climáticos que têm ocorrido ultimamente, perceberemos que existem boas razões para acreditarmos que elas possam realmente se tornar realidade.
Que a humanidade não queira ver para crer...


Referências

Tett, Simon F. B. et al. Causes of twentieth-century temperature change near the Earth’s surface. Disponível em: http://www.nature.com/cgi-taf/DynaPage.taf?file=/nature/journal/v399/n6736/full/399569a0_fs.html&content_filetype=pdf Acessada em: 06 fev. 2006.

Filho, Luiz Gylvan Meira. Matéria publicada na Revista Caros Amigos Edição Especial: Terra em transe – abr./2005.



Luana C. R. de Andrade/Marcos Heil Costa   

Desenvolvimento Sustentável: A Institucionalização de um Conceito

Autor: Cesar Augusto Della Piazza (PPGEP/UNIMEP)

E-mail: della_piazza@yahoo.com.br

 

A Economia Ecológica vem demonstrando que os fatores limitantes dos recursos naturais perante o desenvolvimento econômico. O desenvolvimento da abordagem bioeconõmica desenvolvida busca fazer uma interface entre visões e conceitos econômicos  e não econômicos, conduzido a este a Economia Ecológica.

O intuito desta, com muitas variantes e mesmo divergências, é o propósito comum de analisar o funcionamento do sistema econômico tendo em vista as condições do mundo biofísico sobre o qual este se realiza. O descaso ou pouca relevância atribuída pelos modelos da economia convencional com os atributos biofísicos da economia veio sendo um principal ponto de critica e de motivação da EE.

A economia ecológica é uma nova abordagem transdisciplinar que contempla toda uma gama de inter-relacionamentos entre sistemas econômicos e ecológicos, procurando distinguir-se tanto da economia convencional quanto da ecologia convencional definindo-se como um campo transdisciplinar de análise integrada dos dois sistemas, abrigando a multiplicidade de disciplinas envolvidas.

A questão que reside em aberto está em saber até que ponto esta diversidade representa efetivamente o potencial de uma integração complementar construtiva entre diferentes enfoques sendo que o principal desafio da EE é a compatibilizarão e mediação entre os conceitos de dimensão biofísica-ecológica e a conceituosa dimensão socioeconômica normativa.

No que toca a questão normativa do desenvolvimento sustentável, esta não é para a EE uma questão especifica, pois EE tem sua própria origem e fundamentação nos elementos que compõem a critica ambiental.

A EE identifica suas raízes já no pensamento fisiocrático no qual a natureza, particularmente a terra é fonte de riqueza e do valor econômico e no pensamento clássico no qual as especificidades das distintas formas de capitais são de grande relevância, principalmente perante aos limites da terra de Ricardo e Malthus.

Portanto, a análise dos fluxos materiais e energéticos ganha destaque significativo para  a discussão do funcionamento do sistema econômico, uma vez que estes fluxos constituem aspectos básicos do lado real deste sistema, o quais negligenciados na economia convencional. Neste sentido ganham destaque principalmente os conceitos termodinâmicos como a lei de conservação de energia  e a lei de entropia.

Segundo Georgescu-Roegen, as construções analíticas da escola neoclássica tradicional reduzem o processo econômico a um sistema mecânico circular e auto-sustentado, sendo que há dois pontos onde há a entrada de recursos naturais valorosos e a saída de rejeitos sem valor. E para Georgescu-Roegen o processo econômico é unidirecional, entrando energia e matéria valorosa quanto rejeitos de calor e matéria degrada de alta entropia sem valor. O processo econômico possui uma natureza irrevogável em termos do aumento de entropia, de uma progressiva conversão de recursos naturais em rejeitos, da trans formação de ordem em desordem.

Em termos de entropia de qualquer empreendimento econômico ou biológico é sempre maior que o produto. Nesses termos, qualquer atividade desta natureza necessariamente resulta em um déficit.

Portanto, todas as transformações materiais e enérgicas, ou seja transformações econômica de produção e consumo ocorrem num sentido de estado de maior ordem para um de menor ordem, ou maior entropia. Assim temos alguns afirmações: este aumento de entropia produzido pelo sistema econômico é canalizado para o sistema ambiental que o suporta. Quando um rejeito é reconvertido ou reclicado em recurso ocorre um custo de um aumento de entropia em outra parte do sistema. A reciclagem não pode ser 100%. O aumento de eficiência no uso de um recurso exaurível se dá em taxas decrescentes.

A natureza, portanto, é absolutamente entrópica de todos os acontecimentos, visão esta que leva a contestar tanto as possibilidades de um desenvolvimento econômico irrestrito, quanto mesmo a idéia de que seja possível uma preservação ambiental.

O ponto ético, para Georgescu-Roegen, está em que o desenvolvimento econômico representa o paradoxo de ser uma benção para as gerações presentes e próximas, mas é que definitivamente contrário ao interesse da espécie humana, se este interesse for ter um horizonte de vida tão longo quanto for compatível com sua dotação de baixa entropia, fato de que quanto maior o grau de desenvolvimento mais curta a expectativa de vida da espécie humana. Segundo a teoria o desenvolvimento econômico existe uma barreira entrópica e cedo ou tarde não haverá como se desenvolver mais.

Howard Odum, nos textos também vai mostrar que a energia e moeda apresentam fluxos de sentidos contrários na economia, sendo a energia o único elemento de entrada liquida no sistema e que move todos os demais, a energia é a fonte e a unidade do valor econômico. Ele desenvolve o conceito de emergia que conforme a energia vai convertendo-se progressivamente, em novas formas de qualidade superior, para isso sendo utilizadas grandes quantias de energia de qualidade inferior. Ele desenvolve o conceito de valor-energia, segundo o qual, o valor de bem ou serviço é dado em última instância pela quantidade de energia direta e indiretamente utilizada na sua produção.

Em suma as abordagens centrais das questões relacionadas as bioeconomia: o papel dos fatores naturais, o papel dos fatores socioeconômicos na contenção dos fluxos físicos antrópicos e o papel dos fatores socioeconômicos em termos da determinação do fluxo útil, e qual a natureza constitutiva deste.

Há na EE, portanto, duas posições valorativas extremas:uma é aquela utilitarista, que se centra nas preferências dos individuais, as quais os fatores biofísicos são subsumidos, a outra e aquela energeticista que se baseia no acesso direto ao papel das funções energéticas sistêmicas. Estes extremos que encontram nas suas forma convencionais na economia e na ecologia revelam o desafio posto para a EE de compatibilizar em um sistema valorativo único e coerente tanto a objetividade dos fluxos e funções ambientais quanto a subjetividade das opções sociais acerca destes recursos

A EE busca então determinar as condições e escalas ecológicas para que as atividades econômicas sejam ecologicamente sustentáveis, determinar as condições para a justa distribuição dos recursos e direito de propriedade e promover a eficiência econômica alocativa dos recursos.

Portanto, determinar em que medida é necessária e em que extensão é possível a conciliação entre a sustentabilidade do crescimento econômico e a da preservação ambiental. Ela visa promover uma analise do sistema econômico mais consistentes com a natureza biofísica do mundo sobre o qual o processo econômico se dá, procurando colocar as determinações naturais no papel que entende que estas efetivamente possuem, o qual veio sendo efetivamente subtraídas ou omitidas na análise econômica convencional.

Podemos dizer que a contribuição central da EE para pensar em DS e a inclusão mais sólida da base biofísica e ecológica na analise econômica. A questão que reside em aberto é, fundamentalmente, ética tendo-se a opção de reconhecer as condições biofísicas para a sustentabilidade, e com isso estabelecer opções normativas na direção do favorecimento das gerações futuras e de uma ética da perpetuação. Questão essa que um grande problema cultura devido as bases hoje existe referente a conceitos de consumo e valores criados pelo atual sistema capitalista, enraizado na essência cultural da maior dos povos de todo mundo.

 

 

 

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